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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Entrevistas - Bernardo (Vasco da Gama)

Imagine esta cena: o cronômetro bate os 45 minutos do segundo tempo e o seu time está deixando escapar um título de Campeonato Brasileiro que não conquista há 11 anos. Eis que você recebe um cruzamento primoroso da direita e, após rebote do goleiro, você se torna o responsável por decretar uma vitória que, além de dar uma sobrevida à sua equipe, levaria emoção para a última rodada do Brasileirão.
Pois bem. Novo xodó da torcida vascaína e autor do gol que adiou o título brasileiro do Corinthians, o meia-atacante Bernardo é o entrevistado da vez aqui no Ritmo de Jogo.Nascido no dia 20 de maio de 1990, na cidade de Sorocaba-SP, Bernardo Vieira de Souza começou a mostrar o seu potencial para o futebol nos juniores do Cruzeiro. Depois de se destacar durante a Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2009, torneio no qual Bernardo, diga-se de passagem, terminou como artilheiro, o meia acabou promovido para a equipe profissional do clube mineiro.
No time principal, o meia chegou a fazer parte do plantel que disputou a final da Libertadores daquele ano. Apesar de ter sido elogiado pelo então treinador Adílson Batista, Bernardo não conseguiu se firmar na equipe celeste e, em maio de 2010, acabou sendo emprestado ao Goiás.
Depois de altos e baixos no clube goiano, Bernardo foi novamente emprestado, desta vez ao Vasco da Gama, com o intuito de deslanchar e acabar com a desconfiança por trás do seu futebol.
Consolidação no futebol brasileiro, aprendizado com Juninho Pernambucano e sonhos de carreira estão no meio das várias histórias que o jovem Bernardo nos conta, através de entrevista por e-mail, só aqui no Ritmo de Jogo.

(Jonas) - Você foi o artilheiro da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2009. Conte para nós como foi disputar e despontar em uma competição que contava com jogadores renomados hoje em dia, como Neymar, Oscar, Alan Patrick...

(Bernardo) - É uma experiência única poder jogar nessa nova era que conta com jogadores que brilham e se destacam ainda tão jovens, e ainda uma honra. No futuro, poderei dizer que joguei lado a lado com jogadores de grande qualidade e que valeu muito tudo o que passei.

(Jonas) - Ainda em 2009, você participou do vice-campeonato da Libertadores pelo Cruzeiro. Como foi disputar e chegar à final de uma competição tão familiarizada com a torcida e com a equipe do Cruzeiro? Qual foi o sentimento após a segunda partida contra o Estudiantes?

(Bernardo) - Foi muito importante participar disso tudo, pois ganhei experiência em disputar competições internacionais, ainda mais sendo a Libertadores, a competição mais importante das Américas. Após o segundo jogo, foi um sentimento de tristeza, pois trabalhamos muito em busca do título, mas não deu.

(Jonas) - Explique para nós como foram suas passagens por Cruzeiro, Goiás, e como é o ambiente atualmente no Vasco.

(Bernardo) - O Cruzeiro foi o clube que comecei, cheguei lá com 12 anos. No Cruzeiro tive a oportunidade de jogar competições em alto nível. Por isso acho que foi bom o tempo em que estive lá. Já no Goiás foi diferente. O clube passou por problemas internos, com muitas mudanças de técnicos. Por isso foi mais difícil.
No Vasco, o ambiente é maravilhoso, todo mundo se dá bem e o grupo é unido com a comissão técnica. O Vasco hoje tem uma estrutura muito boa para se trabalhar.

(Jonas) - Hoje em dia, está cada vez mais comum a ida de jovens jogadores para o futebol do exterior. Houve alguma proposta ou sondagem de algum clube europeu no seu futebol? De qual clube?

(Bernardo) - Proposta real nenhuma, muita sondagem sim, o que é normal no mercado da bola. Mas acho que foi importante eu permanecer no Brasil e me consolidar como jogador profissional.

(Jonas) - Com apenas 21 anos, você já se destacou como um exímio cobrador de faltas. Conte para nós como é treinar e atuar ao lado do Juninho Pernambucano, um dos melhores cobradores de faltas da história do futebol.

(Bernardo) - O Juninho é um ídolo. Ele tem aquele conhecido futebol brasileiro nos pés e é sempre bom contar com as dicas dele e de outros. A experiência de poder conviver dia a dia ao lado de grandes jogadores como ele, o Éder e o Diego (Souza) é única.

(Jonas) - Muitos não sabem, mas você tem o futebol no sangue, já que o seu pai é o ex-atacante de Palmeiras e Fluminense, Hélio (jogou também pelo Bahia, Vitória e Sport). Você se espelha no "paizão"? Ele te dá muitos conselhos em relação à sua carreira?

(Bernardo) - Com certeza. Meu pai é um dos meus maiores ídolos e conto com os conselhos dele como pai e como jogador mais experiente.
(Jonas) - Como todo mundo sabe, as Olimpíadas de 2012 estão se aproximando. Você, que possui idade olímpica (21 anos), sonha em disputar os jogos de Londres?

(Bernardo) - Acho que todo jogador sonha em disputar grandes jogos, contra grandes seleções e sair campeão, principalmente representando o seu país de origem, o que é uma honra. No meu caso, acho que isso não seria uma exceção e me faria também amadurecer e ter mais experiência.

(Jonas) - Além das Olimpíadas, outra ambição do torcedor brasileiro é a Copa do Mundo de 2014. Com um pouco mais de dois anos para o início da competição, a participação na segunda edição de Copa do Mundo no Brasil está em seus planos? (PS: A Seleção Brasileira está em escassez de bons cobradores de faltas...)

(Bernardo) - A Seleção Brasileira é um espelho para que os jogadores possam ser vistos e ter maior destaque mundialmente. Quero sim, ainda ser convocado futuramente para representar o nosso Brasil e ainda marcar alguns gols.

(Jonas) - Por fim, se um dia você tiver que deixar o Vasco para uma eventual ida para o futebol europeu, para qual clube gostaria de ir?

(Bernardo) - Temos muitos clubes de ótima qualificação no Brasil e no exterior. Quero ir à um clube que me dê a oportunidade de mostrar o meu futebol, assim como o Vasco me deu ano passado. E como vocês puderam ver, eu não os desapontei. Barcelona, Milan, Real Madrid, Porto, Manchester (United), quem sabe?
Apesar de ter adiado a decisão do Brasileirão, o gol de Bernardo não foi suficiente para acabar com jejum de 11 anos dos vascaínos. Porém, com a vaga assegurada na Libertadores deste ano, quem sabe desta vez, Bernardo não consiga trazer a taça mais cobiçada das Américas para São Januário, afinal, estrela e futebol o garoto tem de sobra.

PS: Bernardo já era assunto aqui no Ritmo de Jogo desde o começo da carreira >>> http://ritmodejogo.blogspot.com/2009/01/de-olho-nele-bernardocruzeiro.html

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Entrevistas - Nenê (Paris Saint-Germain)

Demorou, mas voltou! Após uma "parada para hidratação" (*fazendo analogia com a pequena parada que os árbitros fazem para os jogadores se hidratarem*), o quadro "Entrevistas" está de volta, desta vez, com uma entrevista exclusiva com o atacante Nenê, um dos destaques do "novo rico" da Europa, Paris Saint-Germain.
Anderson Luiz de Carvalho, nascido no dia 19 de julho de 1981 na cidade de Jundiaí-SP, iniciou sua carreira futebolística com apenas 19 anos no time de sua cidade natal, o Etti Jundiaí (atual Paulista).
Depois de dois anos de destaque pelo clube do interior paulista, Nenê acabou sendo contratado pelo seu primeiro grande clube, o Palmeiras. Apesar de fazer parte do plantel que rebaixou o Palmeiras naquele ano, Nenê foi um dos poucos destaques daquela equipe, o que acabou lhe rendendo a convocação para a Seleção Brasileira Sub-23 e uma transferência, desta vez, para o Santos de Robinho, Diego e cia.
Foi no clube da Baixada Santista que Nenê alcançou projeção internacional e viveu seu melhor momento em clubes brasileiros, chegando a disputar a final da Libertadores daquele ano.
Derrota na final, transferência para a Europa e Seleção Brasileira são apenas algumas das histórias que Nenê nos conta, através de entrevista por e-mail, só aqui no Ritmo de Jogo.

(Jonas) - Bom, você que é um jogador que já atuou por vários clubes da Europa, principalmente da Espanha e França, qual a diferença entre o futebol brasileiro, espanhol e francês?

(Nenê) - Na Espanha a marcação é mais em cima. Não tem muito tempo para você para e pensar, por exemplo. No começo demorei um pouco para me adaptar, mas foi um período importante para evoluir taticamente. Já na França, não encontrei muitos problemas, pois lembra bastante o estilo do brasileiro.

(Jonas) - Você que já atuou em clubes como Mallorca, Alavés, Celta de Vigo e Espanyol, explique para nós como foi sua passagem por esses clubes e como é fazer sucesso em equipes de pequena expressão na Espanha.

(Nenê) - Mallorca foi importante por me abrir as portas no futebol europeu. Mesmo me adaptando a uma nova experiência (na época), consegui me sair bem. Tive também o prazer de fazer dupla de ataque com o camaronês Samuel Eto'o.
Já no Alavés, tive mais sequência e inclusive fui um dos destaques na campanha de acesso da equipe à elite. Foi uma passagem marcante. No Celta foi apenas uma temporada, mas também considero que fui bem. A equipe era boa, mas não conseguiu uma boa campanha e isso, de certa forma, "esconde" os valores individuais do time. Por fim, no Espanyol considero também como marcante. Lá, joguei com De La Peña, que também dispensa comentários, e apesar da irreguralidade da equipe, a torcida lotava o estádio todos os jogos, e isso fica na memória.
Sobre se destacar nestas equipes, é consequência de trabalhar com seriedade e estar sempre na busca do seu melhor. No final, os resultados aparecem.

(Jonas) - Hoje, você é um dos principais jogadores do Paris Saint-Germain e foi um dos destaques do último Campeonato Francês. Explique como é o ambiente no Paris Saint-Germain e quais as pretensões da sua equipe para esta temporada.

(Nenê) - O ambiente é muito bom e sem dúvida que isso conta no desempenho dentro de campo sim. O elenco é uma mescla de jogadores novos com outros mais experientes e já se percebe que deu resultado, pois a campanha foi melhor do que as últimas, sem contar que chegamos na última rodada ainda brigando por uma vaga na Liga dos Campeões.
Para esta temporada, o único pensamento é de conquistar títulos, seja na Ligue 1 (*Campeonato Francês*) ou em alguma competição europeia. Uma equipe como o PSG tem que pensar em ganhar sempre.

(Jonas) - Você tem, ou teve alguma proposta de algum outro clube para deixa Paris? Sonha em jogar em um grande clube da Europa?

(Nenê) - Quando você se destaca, sempre surge especulação nas janelas de transferências, mas de concreto não chegou nada até mim. Além disso, estou muito bem aqui no PSG e pretendo cumprir meu contrato, pois investiram bastante para me contratar.
Obs: Contrato de Nenê com os parisienses é válido até junho de 2013.

(Jonas) - Em 2003, você participou do elenco da Seleção Brasileira Sub-23. Conte para nós como foi esta experiência.

(Nenê) - Em qualquer categoria, vestir a camisa da Seleção é um privilégio, porque é onde se encontra os melhores na defesa pelo seu país. É uma experiência única e que penso estar próximo de se concretizar também na principal. O Mano Menezes é um técnico que acompanha os jogos, está sempre ligado e isso me deixa com esperança.

(Jonas) - Ainda em 2003, você também participou da Libertadores pelo Santos. Como foi disputar e chegar à final de uma competição tão almejada pelos clubes brasileiros? E qual foi o sentimento após o segundo jogo contra o Boca?

(Nenê) - Realmente é uma competição especial.Tem uma maneira diferente de se jogar e me acrescentou muito. Sem contar que aquele time do Santos era maravilhoso e contava com grandes atletas. De certa forma não foi surpresa, ao menos para nós jogadores, chegar na final.
E o sentimento de perder é horrível, principalmente por termos chegado tão perto. Mas também sabemos reconhecer que o Boca Juniors tinha ótimos jogadores também, além de mais experiência.
(Jonas) - Ao longo de sua carreira, você atuou com grandes jogadores como Robinho, Diego e até mesmo com Eto'o no Mallorca. Você mantém contato, ou tem amizade ainda com algum deles?

(Nenê) - Não é com certa frequência, mas sempre que possível nos falamos sim. Até porque, além de ótimos atletas, são ótimos como pessoas e essa amizade que construímos no decorrer da carreira é muito boa.

(Jonas) - Neste tempo que Mano Menezes está no comando da Seleção Brasileira, ele apostou em nomes como de Leandro Damião, Hulk, Fred... Você não acha que também deveria ter uma chance na Seleção? Sonha em disputar a Copa de 2014 no Brasil?

(Nenê) - Acho e estou muito confiante que minha chance está próxima de chegar. Recentemente, o Mano chegou a citar meu nome e isso é um ótimo sinal.
Sonho e muito. Acredito que é o desejo de qualquer atleta, ainda mais essa de 2014 que será aqui no Brasil.

(Jonas) - É verdade essa história de atuar com a camisa da seleção francesa? Você considera mesmo essa possibilidade?

(Nenê) - Na verdade, o que houve foi uma possibilidade de jogar pela seleção espanhola, já que tenho passaporte da Espanha. Pessoas ligadas ao técnico chegaram a conversar comigo antes da Copa de 2010. Mas eu prefiro jogar pelo Brasil mesmo, caso haja a possibilidade.

(Jonas) - E por último, no Brasil, você atuou pelo Etti Jundiaí (*atual Paulista*), Palmeiras e Santos. Você pretende voltar ao Brasil? Para qual time?

(Nenê) - Tenho enorme carinho por esses times citados e não tem como ser diferente. Claro que penso em retornar ao futebol brasileiro, mas tudo tem seu tempo, e ainda pretendo ficar por aqui. Sobre qual time é difícil dizer, pois o futebol é muito dinâmico.
Hoje, Nenê é um dos destaques do milionário Paris Saint-Germain. Participou de toda a pré-temporada pelo time francês, o que ajuda muito no decorrer da temporada, e foi o único brasileiro na seleção do último Campeonato Francês. Por essas e outras que Nenê continua em busca de um, merecido diga-se de passagem, lugar ao sol na Seleção Brasileira de Mano Menezes.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Entrevistas - Bia Figueiredo (Fórmula Indy)

Brasileira pioneira na Fórmula Indy, a paulistana Ana Beatriz Gomes de Figueiredo tentará se classificar, neste sábado, para o grid da 94ª edição das 500 milhas de Indianápolis, uma das provas mais tradicionais do mundo, disputada no circuito que é considerado um templo do esporte a motor. Em seu primeiro ano na categoria, contratada como piloto experimental da equipe Dreyer e Reinbold, a corredora conta em entrevista à Gazeta Esportiva.Net que se inspira em suas precursoras, critica o machismo dos boxes internacionais e coloca à prova o arcaico rótulo de sexo frágil.

Pronta para fazer história, Bia Figueiredo, que se consagrou como a primeira mulher a vencer uma corrida na Indy Ligths e na Fórmula Renault, começou bem os inúmeros treinos para a corrida. Desde o último domingo, data do primeiro contato dos pilotos com a pista, Bia vem conseguindo se manter entre os vinte primeiros e como um dos melhores novatos. Sua melhor marca foi a 17ª posição, alcançada na última quarta-feira.

Sua próxima meta é passar pelo "Pole Day", etapa que será realizada no sábado e classifica os primeiros 24 pilotos, ou pelo "Bump Day", no domingo, que seleciona mais nove no grid de largada. Caso consiga uma vaga, o objetivo passará a ser a conquista do status de melhor estreante, o que lhe renderia a imagem de seu rosto estampada no troféu destinado ao debutante com melhor performance.

Aos 25 anos, Bia já tem no currículo uma 13ª colocação, conquistada em sua primeira prova, a São Paulo Indy 300, realizada em março, na capital paulista. Apaixonada por velocidade desde pequena, ela comenta sua trajetória no automobilismo e mostra confiança ao planejar disputar a temporada de 2011 brigando pelo título de "hookie (estreante) do ano".

GE.Net: Como foi ser a primeira piloto brasileira na Fórmula Indy e qual a sensação de poder ser a primeira a disputar as 500 milhas de Indianápolis ?

Bia Figueiredo: É uma grande honra para mim. Fiquei muito feliz quando acertamos com os meus patrocinadores para disputar as 500 Milhas e meu foco total aqui em Indianápolis está no trabalho de preparação com a equipe, para termos a melhor performance possível.

GE.Net: Após correr a SP 300 e ser escalada para Indianápolis, você acha que sua escuderia (Dreyer e Reinbold) vai prolongar seu contrato?

Bia Figueiredo: Mesmo que eu ganhe as 500 Milhas de Indianápolis não correrei o resto desta temporada. Nossa preparação estará concentrada para a temporada de 2011, quando quero ter a chance de disputar o título de "Estreante do Ano".

GE.Net: Até que ponto você foi influenciada pelas 'precursoras' Danica Patrick e Sarah Fisher? Foram elas que abriram as portas para o sexo feminino na categoria?

Bia Figueiredo: Corro há 17 anos e quando comecei não existia nenhuma piloto em destaque no automobilismo mundial. Sem dúvida, a Danica Patrick e a Sarah Fisher abriram portas para mulheres na categoria.

GE.Net: O Brasil já venceu seis vezes as 500 Milhas (em três oportunidades com Hélio Castroneves, duas com Emerson Fittipaldi e uma com Gil de Ferran). Você acha que algum piloto brasileiro tem chances de conquistar a primeira colocação em 2010?

Bia Figueiredo: Torço para que um brasileiro seja um vencedor, sim. Os que têm mais chances são o Helio Castroneves, tricampeão da prova, e o Tony Kanaan, que luta pela sua primeira conquista nessa corrida.

GE.Net: Como você analisa o nível de 'categorias trampolim' como a Fórmula Renault, a Fórmula 3 e a própria Indy Ligths? No início de sua carreira houve preconceito?

Bia Figueiredo: A Fórmula Renault e a Fórmula 3 me deram uma base muito boa. Acho que todo piloto deveria fazer pelo menos dois anos de categorias de fórmula no Brasil para ganhar experiência antes de ir para a Europa ou Estados Unidos. A experiência que ganhei com a Equipe Cesário Fórmula nessas categorias foi essencial para o meu crescimento. O começo é sempre mais difícil, mas fui ganhando respeito com o tempo e com minhas vitórias. O Brasil melhorou muito, mas o povo brasileiro continua um pouco machista, sim.

GE.Net: Qual foi a sensação de correr SP Indy 300 em sua terra natal?

Bia Figueiredo: Foi o máximo. Eu me senti em casa e muito feliz por estar perto das pessoas que mais me ajudaram para chegar até a Fórmula Indy. A receptividade do público foi maravilhosa, os fãs vibraram o tempo todo e nem quando a chuva interrompeu a corrida por um tempo eles foram embora.

GE.Net: Após a cisão com a CART (atual Champ), a Fórmula Indy teve apenas um campeão brasileiro: Tony Kanaan, em 2004 (considerando os anos anteriores quando a categoria era unificada, o Brasil tem o título de Emerson Fittipaldi, em 1989). Você acha que o país tem chance de conquistar a primeira colocação nesta temporada?

Bia Figueiredo: Claro que tem. O Tony e o Helio estão sempre brigando pelo título, mas sem dúvida a categoria tem ficado mais competitiva a cada ano. Os dois estão nas melhores equipes e se fizerem um campeonato regular, com muitos pódios e vitórias, têm grandes chances de levar a taça.

GE.Net: Raphael Matos foi o 'estreante do ano' em 2009. Você, que já correu com ele, acha que ele é o futuro do Brasil na Fórmula Indy?

Bia Figueiredo: Sem dúvida o Raphael Matos é um grande talento. Brigamos pelo titulo da Firestone Indy Lights em 2008, quando ele foi campeão. Acredito que eleseja um dos futuros brasileiros campeões da Fórmula Indy.

GE.Net: Quais são seus favoritos para a temporada de 2010? O australiano Will Power, líder do campeonato com duas vitórias e 190 pontos, já é o alvo a ser batido?

Bia Figueiredo: Não tenho favoritos. O título deve ser decidido entre as equipes Penske, Ganassi e Andretti. O Will Power mostrou grande força nos circuitos mistos e de rua, mas nos circuitos ovais é uma incógnita. O campeão da temporada tem que ser competitivo em todos os tipos de circuitos.

GE.Net: Você tem amizade com os outros brasileiros? Você se espelha em algum deles?

Bia Figueiredo: Falo com todos os pilotos brasileiros. Eu me espelho em todos, mas o Helio Castroneves e o Tony Kanaan são os pilotos mais vitoriosos na Indy e são grandes campeões.

GE.Net: O que você acha da volta por cima de Castroneves, que enfrentou problemas com o Fisco Norte-americano, em 2008?

Bia Figueiredo: O Helio conseguiu dar a volta por cima. Comprovou-se que ele era inocente e ele venceu pela terceira vez as 500 Milhas de Indianápolis logo depois. (Castroneves venceu o famoso circuito oval em 2001, 2002 e 2009).

GE.Net: Você pretende, um dia, correr a Fórmula 1? Quais são as principais diferenças entre as duas categorias? Você tem apenas 25 anos, quais são seus planos?

Bia Figueiredo: Meus planos hoje são me estabelecer e evoluir na Fórmula Indy. Amo correr nos Estados Unidos e gostaria de fazer uma grande carreira aqui. Mas como sou apaixonada por carros, se chegasse uma proposta da Fórmula 1 eu iria analisar com carinho. A Fórmula Indy é mais focada na competição e no show. Os carros são iguais e só muda o acerto deles. A Fórmula 1 é puro desenvolvimento, e às vezes o show fica de lado, pois a diferença de equipamentos é muito grande.

GE.Net: Por falar em F-1, quem você acha que levará o título desta temporada? Como você vê a volta do heptacampeão Michael Schumacher?

Bia Figueiredo: Acho que o titulo será decidido entre o Sebastian Vettel, o Lewis Hamilton, o Jenson Button e o Fernando Alonso. Torço para que o Felipe Massa entre nessa briga também. Adorei que o Michael Schumacher voltou e, apesar das dificuldades iniciais, acredito que ele vá vencer uma corrida esse ano.

GE.Net: E por que você acha que a principal categoria do mundo não tem uma mulher sentada em um cockpit? (A Fórmula 1 já teve experiências, contudo nenhuma conquistou grandes resultados. A última foi a italiana Gioavanna Amati, em 1992)

Bia Figueiredo: A Fórmula 1 quer uma mulher, mas não está preparada para receber essa mulher. Há poucas mulheres nas categorias de base europeias, então são poucas as chances para as mulheres tentarem chegar lá. O europeu ainda tem uma cabeça muito fechada e um pouco machista também. Por que a McLaren não investe em uma mulher como investiram no Lewis Hamilton desde o kart? Isso é fundamental.

http://www.gazetaesportiva.net/nota/2010/05/19/636765.html

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Entrevistas - Rapha (Trentino)

Ser eleito o melhor levantador do Mundial de clubes vestindo a camisa da mais renomada equipe de vôlei da atualidade é uma tarefa para poucos. Coube ao brasileiro Rapha, de 30 anos, desfrutar dessa glória em sua primeira temporada no Trentino, da Itália, em 2009. Prestes a disputar as semifinais do campeonato nacional da Velha Bota e da Liga dos Campeões, o atleta afirma que esperava ver seu nome na última convocação do técnico da seleção brasileira Bernardinho após suas recentes conquistas.

Revelado no período áureo do Banespa (atual Brasil Vôlei Clube), Rapha chegou ao vôlei italiano em 2006, para jogar no Vibo Valentia. Menos de três temporadas depois, foi contratado para ser o motor do Trentino, uma espécie de Barcelona do vôlei.

Figura esporádica na seleção vice-campeã olímpica em 2008, o jogador enseja voltar ao Brasil depois de seus dois anos de contrato com a "máquina de Trento". Mas lamenta a fase de sua ex-equipe, que ameaça fechar as portas devido à crise financeira e à falta de patrocinadores. O clube de São Bernardo do Campo perdeu para o Montes Claros na última terça-feira, foi eliminado da Superliga Masculina nas quartas de final e aguarda, dolorosamente, a definição de seu futuro.

Em entrevista exclusiva à GazetaEsportiva.Net, o atleta comenta o seu momento especial, fala de suas relações com Bernardinho e admite alimentar esperanças de disputar as Olimpíadas de Londres/2012.

GE.Net - O ano de 2010 foi marcado pela volta de vários ídolos ao Brasil (Giba, Rodrigão, Gustavo e Marcelinho no Pinheiros/Sky, por exemplo). Você espera continuar na Europa por mais quanto tempo? E, em um eventual retorno, você tem um clube em especial?
Rapha
- Tenho mais dois anos de contrato aqui com o Trentino, depois disso gostaria muito de voltar para o Brasil, mas ainda é muito cedo para pensar em times.

GE.Net - O Brasil Vôlei Clube (ex-Banespa) está passando por dificuldades financeiras e pode fechar as portas. O que você acha disso?
Rapha
- Fico muito triste de ver o time em que comecei a jogar aos 13 anos, e que vesti por dez anos a camisa, terminar desta maneira. Vou lembrar para sempre do Banespa e espero que essa situação se reverta. Pois, o Banespa sempre foi um grande criador de grandes atletas para o vôlei nacional.

GE.Net - Pela seleção brasileira, você foi campeão da última Liga Mundial (2009), no entanto não figurou entre os 22 convocados da última pré-lista de Bernardinho. Qual sua relação com ele? Você acha que tem espaço na seleção?
Rapha
- A minha relação com o Bernardinho é boa e muito profissional. É claro que depois de uma temporada em que ganhamos o campeonato mundial, em que fui eleito o melhor levantador, e a Copa Itália, eu esperava ser convocado, mas infelizmente não foi dessa vez. Continuo trabalhando ainda mais para quem sabe estar em uma futura convocação. É sempre uma honra e um prazer vestir a camisa da seleção brasileira.

GE.Net - Qual sua relação com o Ricardinho (jogador do Treviso, da Itália) e o que você pensa da reconciliação com Bernardinho?
Rapha
- Respeito muito o trabalho de todos levantadores que foram convocados, acho que o Brasil está em boas mãos na posição. Tenho uma relação muito boa com o Ricardo, conversamos muito sempre que nos encontramos. Acho que o Brasil e a seleção só têm a ganhar com essa reaproximação das duas partes.

GE.Net - Você não disputou nenhuma Olimpíada. Continua sendo um sonho representar o Brasil em uma edição? Sua última chance seria em 2012, em Londres?
Rapha
- Jogar uma Olimpíada é o meu maior sonho desde quando entrei no esporte. Gostaria muito de poder participar do grupo em 2012, que talvez será a minha ultima oportunidade.

GE.Net - Em sua primeira temporada no Trentino, você já levou o Mundial, a Copa da Itália e está nas semifinais do Italiano e da Liga dos Campeões. Como é fazer parte de um dos melhores clubes do mundo?
Rapha
- Jogar no Trentino é um orgulho e uma alegria. Aqui na Itália, muitos jornais disseram que há alguns anos não se formava um time tão forte como o nosso. É claro que a responsabilidade aumenta muito com isso, mas também é um incentivo que não nos deixa relaxar nunca.

GE.Net - Quais são suas expectativas com relação ao bicampeonato europeu (as semifinais ocorreriam no último final de semana na Polônia, contudo foram adiadas, ainda sem data definida, em consequência da morte do presidente local)? E como é disputar duas competições importantes de forma simultânea?
Rapha
- As expectativas são as melhores possíveis, o time está treinando bem e estamos muito confiantes. São duas competições muito difíceis, que exigem muito do nosso time, mas é um prazer chegar a essas semifinais. Tive uma contusão que não preocupa, mas fiquei um pouco sentido de ter acontecido logo agora nas vésperas das finais de dois campeonatos importantes - o levantador brasileiro faturou a mão direita no último confronto das quartas de final do Italiano contra o Verona e voltará às quadras no começo do mês de maio. Estou fazendo de tudo para voltar o mais rápido possível.

GE.Net - Para chegar à equipe de Trento você passou duas temporadas no Valentia (esse mais modesto). O vôlei italiano continua muito acima do brasileiro? Quais são as principais semelhanças e as diferenças entre as duas escolas?
Rapha
- A minha passagem pelo Vibo Valentia foi excelente, um time muito sério e que tínhamos um ótimo grupo. Serviu muito para o meu crescimento como jogador e conhecer o voleibol italiano. Hoje posso dizer que estou preparado para jogar em um time como o Trentino. Infelizmente, o campeonato local ainda está acima do brasileiro. A maior diferença é a organização e os ginásios sempre lotados.

GE.Net - O brasileiro começou a ser valorizado no vôlei a partir dos anos 2000. Qual é a principal característica do jogador verde-amarelo no mercado mundial?
Rapha
- A característica mais marcante do jogador brasileiro aqui é a alegria. Os italianos sempre dizem que somos muito guerreiros.

http://www.gazetaesportiva.net/nota/2010/04/13/631268.html

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Entrevistas - Túlio Maravilha (Botafogo-DF)

Em entrevista por e-mail, o folclórico jogador-político Túlio Maravilha, além de fazer juras de amor ao Fogão Carioca, convida todos, com o mesmo carisma de sempre, para a sua festa, agendada para 2011 - o traje e o local já foram definidos -, quando, segundo suas expectativas, alcançará a marca do milésimo gol e, perguntado sobre sua vida política, avisa : "a nação brasileira pode esperar um Túlio Maravilha artilheiro também em Brasília".

(Luan) Túlio, você foi revelado pelo Goiás, mas consagrou-se com a camisa do Botafogo-RJ. Qual o time você mais se identifica?

(Túlio) Obviamente, o clube que tenho mais identificação é o Botafogo. Tenho carinho por todos os clubes, alguns mais especiais, claro! Mas, no Bota fui artilheiro e campeão Brasileiro, além de outros títulos. Fui muito feliz no Rio de Janeiro, e por isso aceitei o desafio de jogar no Botafogo-DF. Além de ser um clube empreendedor é a filial do eterno Glorioso Carioca.

*** Para a temporada 2010, o alvinegro do Planalto Central, em seu estreia na elite do Candangão, trouxe mais dois jogadores que fizeram história na matriz carioca na década de 90: Sérgio Manoel e Zé Carlos, o "Zé do Gol".***

(Luan) Você passou por 22 clubes em sua carreira. Em 2004, você transferiu-se ao Jorge Wilsterman, da Bolívia. Como foi jogar na altitude?

(Túlio) Quanto à altitude, ela realmente faz a diferença, mas não é assim como dizem. Basta adaptação.

(Luan) Como foi levantar o caneco do Brasileirão de 95 e de quebra ser o artilheiro da competição pelo Botafogo? E como você analisa a atual fase da "Estrela Solitária" e do futebol carioca - Flamengo e Vasco campeões da Série A e Série B, respectivamente, do Brasileirão e Fluminense, ressurgindo das cinzas - em geral?

(Túlio) Ganhar um Brasileiro é indescritível. É a soma de todos os melhores sentimentos em um só. A artilharia foi uma conseqüência do trabalho. Nosso time era unido e entrosado dentro e fora de campo. O ano de 1995 foi maravilhoso e ficará marcado na minha memória. Quanto ao Botafogo, analiso que o clube passa por um momento de reformulação com uma diretoria qualificada liderada pelo presidente Mauricio Assumpção. E os times cariocas também estão bem, basta ver pelo Flamengo, atual campeão nacional.

(Luan) Como você explica a sua passagem apagada pelo Corinthians em 97? Houve alguma outra proposta pra você voltar ao futebol paulista?

(Túlio) Não teve nenhum motivo específico. São situações que acontecem no futebol e com os grandes jogadores. Não joguei novamente em São Paulo porque não houve oportunidade.

(Luan) Você é uma figura folclórica no futebol brasileiro. Você gosta dessa alcunha? Você acha que o esporte mais popular do Brasil necessita de atletas carismáticos como você?

Algumas frases históricas do irreverente centroavante

"Eu sou o Rei do Rio"
"Eu era como uma melancia, verde por fora e vermelho por dentro"
, lembrando sua passagem pelo Goiás.
"Ele vem jogando muito bem e é só vestir a camisa 7 do Fogão, que foi minha e de Garrincha, já é meio caminho andado" perguntado sobre a possível contrataçao de Dodô pelo Botafogo, em 2007
"Vou fazer e dedicar para ele o gol anticoncepcional" opinando sobre o atacante Dill, quando este estava prestes a enfrentar o seu ex-time (Botafogo) vestindo a camisa do Goiás

(Túlio) Claro! O futebol vive dos mitos, de frases efeitos e pessoas que amam este esporte. Eu sou assim e vou morrer deste jeito. Maravilha, irreverente e feliz. Os jogadores de futebol precisam fugir das respostas prontas.

(Luan) O 900º está muito próximo... e o 1000º? Já tem alguma festa programada? Será com que camisa? do Botafogo, do Distrito Federal ou do Rio?

*** Túlio é o jogador com mais gols (899) em atividade no futebol mundial. ***

(Túlio) Com certeza será com a camisa do Botafogo do Rio. O gol saíra em 2011 e todos estão convidados para esta festa do futebol. O palco será o Engenhão, a casa do Fogão!

(Luan) Você acumula várias convocações para a Seleção Brasileira, contudo não chegou a disputar uma Copa do Mundo. Você tem alguma mágoa por isso? Acha que deveria ter mais chances com a "Amarelinha"?

*** Túlio serviu à Seleção Canarinho em 15 oportunidades de 90 a 95, não perdeu nenhuma partida e marcou 15 gols. ***

(Túlio) Jogar uma Copa do Mundo sempre foi um sonho. Mas, agora não adianta ficar culpando e lamentado. Já passou. Agora é trabalhar para marcar 1.000 gols.

(Luan) Você é o vereador (PMDB) de Goiânia que mais encaminha projetos à Câmara. Podemos alimentar esperanças de ver você no Senado futuramente? A nação brasileira pode esperar um Túlio artilheiro também de terno e gravata?

(Túlio) Esse é meu objetivo. Ser um vencedor também na política. Com certeza o meu eleitor nação brasileira pode esperar um Túlio artilheiro em Brasília.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Entrevistas - Fernando Meligeni

Fugindo da predominância futebolística do blog, nossa terceira entrevista é com um renomado tenista nascido na Argentina, porém com coração verde-amarelo.

Fernando Meligeni e Gustavo Kuerten foram os principais responsáveis pela entrada definitiva do tênis no Brasil, no fim da década de 90 e início dos anos 2000. Ambos, dispondo de escassas ajudas, venceram e mostraram ao mundo que brasileiro também tem vez com a raquete na mão.

Fininho, em quase 15 anos de carreira, conquistou inúmeros títulos, contudo foi sua raça, sua disposição em nenhum momento desistir que o notabilizou e o colocou na História do esporte nacional. Quando era juvenil, Meligeni chegou a ser o número 1 do mundo, e seu auge, já profissionalmente, foi atingido em 1999 quando chegou às semi-finais de Roland Garros e alcançou a 29ª posição no ranking da ATP. Além disso, ele é o tenista brasileiro a ir mais longe em uma Olímpiada - semi-finais em Atlanta, 96.

É por tudo isso e muito mais que nós, brasileiros, sentimos falta do velho e bom Fininho e seremos eternamente gratos a tudo que ele nos proporcionou.

Você sofreu algum tipo de preconceito por ter nascido na Argentina? (Meligeni nasceu em Buenos Aires, porém mudou-se para o Brasil aos 4 anos de idade. Tornou-se profissional em 1990, optando pela nacionalidade brasileira)

Não, nenhum. Fizeram muitas brincadeiras, mas nunca preconceito.

Por que a escolha pela naturalidade brasileira já que, além de ter nascido, você treinava na Argentina?

Eu fui pra lá por dois anos pra treinar, mas minha família continou aqui. Eu optei porque amava e amo o Brasil.

Sem sair de "fininho", qual seu time de coração no Brasil e na Argentina?

São Paulo e Boca Juniors.

No início de sua carreira, quando ainda era juvenil, você chegou a ser um dos melhores do mundo. Conte mais sobre essa fase.


Eu fui número 1 do mundo por 7 meses e terminei o ano como número 3. Ganhei o Orange Bowl, que era o campeonato mais importante da época. Pra mim foi um grnade prêmio e uma motivação pra entrar no profissional.

Você é o tenista brasileiro que chegou mais longe em uma Olímpiada. O que falta pro Brasil ser uma potência olímpica, equiparada aos EUA, China, Cuba e países da Europa?

Investimento, vontade política e seriedade. Ser uma potência não tem nada a ver com resultado e sim com estrutura.

Faltam investimentos em outros esportes? A cultura do futebol dificulta esse intercâmbio?


Falta, além de dinheiro, falta querer que outros esportes apareçam mais.

O ano de 99 foi mágico pra você. Semi-final de Roland Garros e 29ª colocação no ranking da ATP. Como foi atingir esse auge? Por que não conseguiu manter essa fase?

Foi o ponto alto da minha carreira. Consegui porque lutei muito e trabalhei forte. Não consegui depois me manter entre os 25, mas sempre estive dentro dos 70. É duro demais se manter lá em cima. É pra poucos.

Você e o Guga revolucionaram o tênis nacional mostrando que na "pátria de chuteiras", também tem espaço pra raquete. Como foi ser um dos protagonistas dessa febre, sobretudo nas gerações mais novas?

Foi e é muito legal. Tenho muito orgulho pelo que consegui e pelo que ajudei a divulgar o esporte.

O ouro no Pan de Santo Domingo fez com que os holofotes voltassem à você. Como foi se despedir do esporte com um vitória épica daquela?

Sem palavras. Melhor despedida que eu podia pedir na vida. Eu lutei a vida inteira por resultados e conquistas e no meu último jogo, pude mostrar a todos isso.

Como você classifica a torcida brasileira? Qual seria a sensação de disputar uma Olimpíada em casa, no Rio de Janeiro?

A torcida brasileira é a melhor do mundo. Sempre me identifiquei. A torcida quer garra e, logicamente, resultado também, mas, principalmente, quer ver o atleta se matar pela vitória. Eu adoraria ter a chance de disputar uma Olimpíada no Brasil, mas a gente não pode pedir tudo, né?

Você é considerado mais um exemplo de raça, determinação, superação do que de técnica - Vide seu extenso currículo de viradas. Até que ponto a raça consagra um atleta.

Raça sem resultado, não consagra. Resultado sem raça, consagra pouco.

Em seu blog, você fez um top o qual considerava o Federer como o melhor de todos os tempos. Qual é o diferencial do suíço?

Ele é completo. Tem um tênis sólido, é inteligente e tem o "algo a mais", que apenas os fenômenos têm.
E o Nadal? Quais as principais diferenças entre eles?

O espanhol tem mais coração, entrega e força.

Você usou critérios como títulos e semanas na liderança do ranking. Quais as razões de Guga não estar na sua lista?

Não queria fazer uma patriotada. Coloquei quem eu achava e não quem eu gostava. Se fosse assim, colocava só os amigos. O Guga foi gênio, mas tiveram outros que foram mais que ele.

Depois das revelações do Agassi - o ex-tenista confessou em sua biografia que usou doping algumas vezes durante a carreira -, ele continua um de seus ídolos ou caiu um pouco no seu conceito?

Fiquei triste com tudo isso. Ainda não consegui engolir essa história. Mas não posso deixar de gostar dele. Erros todos cometem, mas que caiu no conceito, caiu.

Quantos títulos você conquistou ao lado de Guga em duplas? Como é ser companheiro dele dentro da quadra?

Ganhamos 4 se não me engano. É muito bom ser parceiro dele. Além do seu tênis que é incrível, ele tem um astral parecido com o meu. Por isso nos dávamos tão bem.

Se não fosse a contusão dele, até onde você acha que ele chegaria?

Ele seria melhor que número 1. Seria o zero, se existisse.

Thomaz Belluci é, atualmente, o maior nome do tênis nacional - está entre os 40 do mundo. Você aposta no talento dele?

Tem muita gente legal vindo e é preciso ter cuidado com eles. O Thomaz não é mais promessa, é uma realidade e tem tudo pra continuar evoluindo e conseguir melhorar no ranking e ganhar muitos títulos.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Entrevistas - Willian (Shakhtar Donestk)

Procurando sempre manter o "Ritmo (frenético) de Jogo", trouxemos à vocês, leitores, mais uma reportagem do quadro "Entrevistas". Desta vez, entrevistamos o jovem brasileiro do Shakhtar Donestk-UCR, Willian.Willian Borges da Silva, nascido no dia 9 de agosto de 1988 na cidade de Riberão Pires-SP, é mais um grande jogador que começou cedo na carreira futebolística e que deixou o futebol brasileiro para tentar ganhar a vida no exterior.

Começou sua carreira profissional em 2005 pelo Corinthians, onde já atuava pelas categorias de base desde os 10 anos de idade. Mas foi em 2007 o grande momento de sua carreira. Após ser titular da Seleção Brasileira na conquista do Sul-Americano sub-20, ganhou a posição de titular do Corinthians e foi o grande destaque da equipe até agosto, quando foi negociado com o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, na maior transação da história do clube. Por meio de entrevista por e-mail, Willian conta sobre sua carreira, sua adaptação na gélida Ucrânia, seus sonhos e perspectivas para o restante da atual temporada.

(Jonas) - Bom, apesar de você já estar algum tempo na Ucrânia, a sua ida para o futebol europeu foi um pouco precoce. Como foi a sua adaptação na gélida Ucrânia e ao futebol europeu? O que levou você a trocar o Corinthians pelo, na época, pouco conhecido Shakhtar Donestk?

(Willian) - Eu senti que era o momento de sair, pois fizeram uma grande proposta para mim e para o Corinthians. Na época eu viajei para a Ucrânia para conhecer a cidade e o clube e quando cheguei vi que o Shakhtar tinha uma excelente estrutura e projetos ambiciosos e isso me fez ter mais certeza de que deveria aceitar. O começo aqui na Ucrânia foi um pouco complicado, pois o futebol é muito diferente, com muito mais força, mas acredito que me adaptei rápido. O único problema que ainda enfrento é o idioma, que é complicado, mas consigo me virar.

(Jonas) - Como é a sua relação com o elenco do Shakhtar (jogadores, treinadores, comissão técnica)? Os brasileiros te ajudam ou ajudaram em alguma coisa?

(Willian) - Tenho uma ótima relação com todos do Shakhtar. Sou um cara tranquilo, fico na minha e me dou bem com todos. Os brasileiros me ajudaram muito no começo, quando eu estava me adaptando. O Brandão, que já estava no Shakhtar há cinco anos, foi um cara que me ajudou muito.

(Jonas) - Pelo Corinthians, que eu me lembre, você marcou apenas 2 gols antes de ser vendido, e pelo Shakhtar, também não marcou muitos gols. Essa escassez de gols, alguma vez atrapalhou você em algum momento de sua carreira? O que você anda fazendo para combater esta deficiência?

(Willian) - Desde a época que eu estava no Corinthians eu treino muito finalização e acredito que evoluí bastante nos últimos anos. Aqui no Shakhtar tenho feito mais gols. Nessa temporada, em 20 jogos já marquei 3 gols. Na temporada passada, marquei 7 vezes. Além disso, sou um jogador que dá muitas assistências.

(Jonas) - Você com certeza deve ter visto que o Corinthians já está planejando um plantel para a disputa da Libertadores de 2010. Você possui algum interesse em disputar a Libertadores pelo Timão em 2010, ou já teve alguma sondagem ou contato para retornar ao Corinthians no ano do centenário para participar desta competição?

(Willian) - Sondagem já houve e é claro que tenho o sonho de voltar um dia. Mas hoje estou muito feliz aqui no Shakhtar, pretendo conquistar mais títulos pelo clube e depois atuar em outro centro da Europa. No futuro pretendo voltar ao futebol brasileiro, mas antes tenho outros objetivos.

(Jonas) - Ano passado, foi um ano incrível para o Shakhtar, onde vocês conquistaram nada menos que a Copa UEFA (atual Liga Europa). Diga para nós como foi participar e vencer este torneio tão competitivo na Europa, e como andam os objetivos do Shakhtar na atual temporada.

(Willian) - Foi um momento muito importante para o clube e também para a minha carreira. Todo jogador sonha em um dia ganhar um título importante como uma Liga da Europa e uma Liga dos Campeões e no nosso caso foi ainda mais especial por termos sido o primeiro clube da Ucrânia a conquistar esse título. Os objetivos nessa temporada são ganhar o Campeonato Ucraniano e vencer a Liga Europa novamente.

(Jonas) - Em 2007, você estava presente naquele excelente grupo que participou da Copa do Mundo Sub-20 e que tinha tudo para ser campeão, entretanto, não foi bem isso que aconteceu. Explique para nós como foi a sua passagem por aquela seleção, como era o seu relacionamento com jogadores que também foram atuar na Europa (Alexandre Pato, Jô, Renato Augusto, Carlos Eduardo...) e o porque que dela não ter vingado no Mundial Sub-20.

(Willian) - O time realmente era muito bom, tinha vários jogadores de qualidade, que estavam jogando como titulares nos clubes, mas é difícil explicar porque não deu certo. Tínhamos um ótimo relacionamento dentro e fora de campo. Acho que faltou algo, mas sinceramente não sei explicar. Às vezes falo com alguns jogadores daquele grupo pela Internet.
(Jonas) - Você é ainda um jogador jovem e que deve sonhar com a seleção brasileira e em disputar uma Copa do Mundo. Ainda há esperanças de jogar Copa do Mundo de 2010, ou você já está planejando participar da Copa de 2014, no Brasil?

(Willian) - Esperança de ir para a Copa de 2010 eu ainda tenho, embora saiba que o grupo já está praticamente fechado e é muito difícil. Vou continuar fazendo meu trabalho, treinando muito, tendo boas atuações e vou aguardar uma chance. Se não for agora espero ter uma chance em 2014.

(Jonas) - Como é disputar o clássico entre Shakhtar Donestk e Dínamo de Kiev? Há alguma semelhança entre os clássicos daqui como, por exemplo, Corinthians e Palmeiras?

(Willian) - A rivalidade é muito parecida com a de um Corinthians e Palmeiras. É um clássico de muita rivalidade, os estádios estão sempre cheios, os jogadores entram muito motivados, chegando duro. Felizmente nos últimos anos temos levado a melhor contra eles.
(Jonas) - E por último, houve algum interesse ou propostas de outros times da Europa? Sonha em jogar em um grande centro da Europa? Como por exemplo...?

(Willian) - Proposta oficial ainda não houve, somente algumas sondagens, uma delas do Barcelona e fiquei honrado com isso. É claro que tenho o objetivo de atuar em um grande centro como Espanha, Itália e Inglaterra, mas vou esperar com tranquilidade, pois estou feliz aqui hoje.

Atualmente, Willian é um dos principais jogadores do elenco do Shakhtar Donestk. Participou de praticamente todas as partidas do clube ucraniano como titular e marcou 8 gols na atual temporada. Prova de que passou de promessa para uma realidade do futebol.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Entrevistas - Edu Dracena (Santos)

Em comemoração à marca de 10.000 visitas, iniciaremos agora mais uma seção no Ritmo : Entrevistas.

E o nosso primeiro entrevistado é Edu Dracena, zagueiro que tem no currículo ótimas passagens por clubes como Guarani, Cruzeiro, Fenerbahçe e, atualmente, defende as cores do Santos.

Aos 28 anos, Edu, de volta ao Brasil e se recuperando de uma grave contusão que o atingiu pela segunda vez o mesmo joelho, está trabalhando forte para voltar à velha forma que o consagrou em 2003 quando conquistou a Tríplice Coroa vestindo a camisa azul celeste do Cruzeiro e que o credenciou a fazer parte do elenco campeão da Copa das Confederações em 2003. Em entrevista por e-mail, Edu fala de sua carreira, de suas voltas por cima e, principalmente, de Seleção Brasileira.

(Luan) Você ficou 3 anos na Turquia (Fenerbahçe). Quais os motivos que levaram você voltar ao Brasil? Fale um pouco de suas passagens pela Europa.

(Edu Dracena) O motivo da minha volta ao Brasil foi a contusão no joelho (ligamento cruzado do joelho direito, a mesma de 2005). O Brasil possui o maior centro de fisioterapia do mundo.

No Olympiakos (Grécia) foi aprendizado, fui muito jovem pra lá, com apenas 20 anos, e pude jogar o campeonato mais importante do mundo : a Liga dos Campeões, contra o Manchester United. No Fenerbahçe, foram 3 anos maravilhosos. No primeiro, fomos campeões no ano do centenário. No segundo, além de classificarmos o Fener para a segunda fase da Champions, coisa que o clube nunca tinha feito em 100 anos, chegamos às quartas-de-finais, contra o Chelsea. Além do futebol, o povo turco é muito acolhedor e muito fã de brasileiros. Vou sentir saudades da torcida.

(Luan) Circulou na imprensa que vários clubes brasileiros queriam repatriá-lo. Por que a escolha pelo time da Vila Belmiro? A presença de Vanderley Luxemburgo, seu comandante anos atrás no Cruzeiro, influenciou a sua decisão?

(Edu Dracena) Olha, vários clubes mostraram interesse no meu futebol, o que me deixou muito orgulhoso pelo reconhecimento. Mas, quem realmente chegou com uma proposto oficial foi o Santos. E contei também com a presença do Vanderley com quem já trabalhei no Cruzeiro onde conquistamos muitos títulos. O Vanderley confia no meu trabalho e eu espero retribuir essa confiança conquistando títulos.

(Luan) Você disse que o Cruzeiro de 2003 é o melhor time nacional depois do Santos de Pelé. Fale mais daquele time. Como foi reencontrar ex-colegas (Deivid, Maldonado e Alex) na Turquia?
(Edu Dracena) Aquele time vai ficar na história do futebol por ter feito 100 pontos e 102 gols no Campeonato Brasileiro. Pra mim, um time completo, onde só de olhar para o companheiro, já sabia o que ele ia fazer. Nós tínhamos sintonia, o time jogava fácil e o Vanderley acertou o time com muita competência. Todo mundo que entrava dava conta do recado. Nós tinhamos alegria de ir treinar, estar juntos, era uma familia. Vai ser muito difícil um time ganhar os 3 campeonatos novamente (Campeonato Estadual, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro).

Foi maravilhoso reencontrá-los.

(Luan) Como você analisa a situação do seu Guarani que, apesar de continuar um celeiro de bons jogadores, vem, nos últimos anos, colecionando campanhas pífias e rebaixamentos? Você assistia aos jogos do Bugre na Europa?

(Edu Dracena) O Guarani está pagando pelas más administrações passadas. Eram pessoas que não tinham experiência de futebol. Eu sempre acompanho o Guarani. Eu vivi 8 anos da minha vida no Brinco de Ouro, passei toda minha infância, tenho um carinho muito grande pelo Bugre. Estou sempre torcendo para que o Guarani possa ser aquele de anos atrás, que revelava jogadores para todo o Brasil.

(Luan) Como anda sua recuperação? A estrutura do Santos e dos grandes clubes brasileiros devem alguma coisa aos da Europa? O que você espera do Santos ano que vem?

(Edu Dracena) Graças a Deus estou muito bem, o Santos tem uma estrutura fantástica para recuperação de atletas profissionais. Os clubes brasileiros estão melhorando suas estruturas.
Em todos os times que joguei conquistei títulos e espero que aconteça também aqui no Santos. Vou trabalhar muito para ganhar os campeonatos.

(Luan) Você conquistou a Copa das Confederações de 2003 e era bem cotado para disputar a Copa de 2006, na Alemanha, porém, uma grave contusão, em 2005, te tirou esse sonho. Como foi suportar essa delicada fase?

(Edu Dracena) Não é fácil conviver com lesão que te deixa de fora dos gramados por 6 meses. O jogador precisa ter uma estrutura familiar muito forte e ter muita fé em Deus, só assim você consegue dar a volta por cima e voltar a jogar em alto nível.

(Luan) Você tem apenas 28 anos. Ainda alimenta o sonho de ir à África do Sul em 2010? Em 2014 você terá 33. Edu Dracena na Copa do Mundo, no Brasil? Você imagina isso?

(Edu Dracena) Eu tenho um sonho de um dia jogar a Copa do mundo. Eu sei que estou em desvantagem por estar machucado, mas acredito que ainda existe vaga na Seleção e tudo depende do trabalho que vou fazer ano que vem no Santos. Nunca vou desistir. A Copa de 2014 no Brasil ainda está longe e meu futuro a Deus pertence. Se for a vontade dele...

(Luan) O técnico Dunga te convocou duas vezes. Qual a sua relação com ele e por quê ele parou de te chamar?

(Edu Dracena) A relação foi muito boa quando estive no grupo da seleção. Procurei fazer o meu melhor e acho que merecia mais chances antes de machucar. Fiz um bom jogo contra o México, e se aquela cabeçada tivesse entrado talvez estaria no grupo. Continuo torcendo pelo meus amigos que estão representando o nosso Brasil com muita honra e dignidade.

(Luan) Juan, Lúcio, Naldo, Miranda, André Dias, Luisão e Thiago Silva. Pra você, quem irá à África do Sul?

(Edu Dracena) Difícil falar quem vai. Eu acho que Juan e Lúcio tem vagas garantidas.


(Luan) Pra finalizar, quem você acha que leva o prêmio de melhor jogador do mundo nesta temporada e qual é/foi o jogador que você mais tem/teve trabalho em marcar?

(Edu Dracena) Eu apostaria no Cristiano Ronaldo (Real Madrid) como o melhor do mundo. O jogador mais difícil de marcar foi o Ibrahimovic, atualmente no Barcelona.

Hoje, Edu, o guerreiro de Dracena, começou treinar com bola e em breve voltará aos gramados para a alegria dos santistas e dos brasileiros em geral. FORÇA EDU.